O Futuro do Trabalho e o Trabalho do Futuro

Weird portrait colorful head photo by Vinicius Amano on Unsplash

A automação de atividades profissionais é um tema atual, mas nem por isso novo. A revolução industrial, lá nos séculos XVIII e XIX, foi assim: substituição do trabalho artesanal pelo uso de máquinas. As manufaturas foram repostas por indústrias, linhas de produção.

OK, e o que a atual quarta revolução industrial tem de diferente? Em primeiro lugar, o acesso a informação hoje é infinitamente maior. O conhecimento sobre o impacto da tecnologia nas profissões não está restrito aos “donos dos meios de produção”. Assim como os meios de produção foram democratizados (hoje um estudante é capaz de criar uma empresa de tecnologia e torná-la uma das empresas mais valiosas do mundo em questão de alguns anos — Facebook?), o debate sobre o impacto da tecnologia domina as pautas informais em corredores de empresas.

Esse debate, cheio de previsões apocalípticas sobre o futuro de algumas profissões, têm causado uma crise geral de ansiedade nas pessoas: de repente, passamos a ignorar os benefícios da automação e começamos a nos preocupar exclusivamente com a manutenção dos nossos empregos.

Mas há luz no fim do túnel!

Outra diferença entre as revoluções tecnológicas anteriores (linhas de produção e uso de força motor também são tecnologias!) e a atual é que está em evidência a importância das habilidades humanas, como criatividade, empatia e inteligência emocional.

Como assim? Imagine que “ser mais eficiente” seja uma necessidade básica e “realizar trabalhos de maneira empática e criativa” seja um benefício complementar, super importante, mas secundário ao objetivo mundano de se fazer mais com menos. Uma vez que a tecnologia propicia alto grau de eficiência, o próximo passo é realizar tais tarefas de maneira eficiente E criativa. Não só fazer mais com menos, mas fazer sempre melhor.

Se é assim, faz sentido inverter a lógica do questionamento “Que tarefas atualmente executadas pelos seres humanos em breve serão realizadas de maneira mais barata e rápida pelas máquinas?” por uma ótica mais otimista e propositiva: “Que novas conquistas nossa sociedade poderia almejar se tivéssemos as melhores máquinas pensantes para nos permitir focar nosso tempo e energia na criatividade e empatia?”

Como exemplo, aqui na Linte testemunhamos o crescente interesse pelo tema “automação de documentos”. Qual a razão disso? Será que por receio de que uma importante parcela da criação e gestão de documentos possa ser otimizada, esvaziada e até substituída por completo? Ou, de maneira mais simplista, pela a identificação de uma profunda ineficiência operacional que, corrigida, pode, dentre outras coisas, aumentar as margens de lucro dos serviços prestados?

Ambas situações nos parecem reais. Acreditamos que as motivações incluem ameaça, inquietação e busca por inovação, podendo se complementar e eliminar a desconfiança e o preconceito que muitos profissionais têm sobre este tema. Mas também temos visto muita gente querendo trabalhar diferente: de maneira mais eficiente e estimulante! E isso é razão mais do que suficiente para buscarem tecnologia.

Nessas ondas de transformação, a preocupação com o desemprego em massa sempre existiu. Ele nunca ocorreu, contudo, porque quando uma atividade humana se tornava desnecessária ou obsoleta, principalmente se tivesse sido substituída por uma máquina, nós, humanos, nos organizamos para criar ou fortalecer uma nova, em que fôssemos melhores ou supostamente necessários.

Pro nosso bem, a realidade se mostra contrária à ficção de Aldous Huxley. Em Admirável Mundo Novo, o autor descreve a sociedade futurística em que a tecnologia e a eficiência tira das pessoas as emoções e a individualidade. Mas isso não é o que especialistas têm observado: “Apesar do pessimismo que ronda o imaginário sobre o futuro do trabalho, identificamos que, quanto maior a utilização de tecnologias no ambiente profissional, mais valorizadas são as habilidades humanas”, afirma Luiz Arruda, diretor da WGSN Mindset.

O futuro do trabalho será muito diferente. Sim, e o trabalho do futuro será humano, inteligente e estimulante.

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